Metodologia

A metodologia do SobreCultura foi construída como uma estrutura viva de preservação, formação e circulação cultural, integrando arte, tecnologia e autonomia informacional. O projeto se desdobra em quatro fases complementares, que, ao final, operam de forma simultânea e contínua — formando um ecossistema de cuidado digital e resistência estética.

1. Oficina de Formação e Bolsa Tecnológica
A primeira fase consiste na realização das oficinas de formação, que funcionam também como espaço de concessão da Bolsa Tecnológica de Arte e Armazenamento.
Nelas, artistas e produtores periféricos são introduzidos aos riscos do armazenamento inadequado, aprendem sobre práticas seguras de curadoria digital e recebem orientação técnica básica sobre organização e preservação de arquivos artísticos.
As oficinas são conduzidas por profissionais das áreas de arte e tecnologia, em formato participativo, com atividades práticas, estudos de caso e exercícios de aplicação direta.
Ao final, cada participante recebe certificação e espaço de portfólio digital seguro dentro da plataforma do projeto, podendo escolher quais obras serão compartilhadas na rede offline expositiva.

3. Armazenamento Seguro em Servidores Próprios
A terceira fase representa o núcleo técnico do projeto, onde as obras digitais são armazenadas em servidores próprios de alta segurança, garantindo autonomia, integridade e preservação a longo prazo.
O sistema é estruturado com protocolos de segurança e redundância de dados, criando um acervo digital periférico organizado, acessível e em constante atualização.
Essa infraestrutura técnica é pensada não apenas como um repositório, mas como uma camada simbólica de soberania informacional — um território digital sob controle das próprias comunidades artísticas.


4. Exposição Offline e Rede Local
A quarta fase traduz o acervo digital em experiência sensorial e coletiva: a Exposição Offline em Rede Local.
Nessa etapa, o projeto utiliza uma peça central de arte plástica — que também funciona como servidor físico — conectada a uma rede de monitores, projetores e caixas de som.
Essa estrutura cria uma instalação imersiva e descentralizada, na qual o público acessa obras visuais, grafites, vídeos, clipes, poesias slam e músicas autorais, mesmo sem necessidade de internet.
A exposição representa o encontro entre o digital e o orgânico, transformando dados em experiência estética e reforçando o papel da arte como ferramenta de resistência e partilha.

Integração das Etapas
Essas quatro fases se retroalimentam de forma contínua:
A formação prepara os artistas para gerirem suas próprias obras;
A curadoria organiza e qualifica o material artístico;
O armazenamento seguro garante a sobrevivência digital das produções;
E a exposição offline devolve ao público o acesso, o afeto e a experiência coletiva da arte.
Cada etapa é conectada por um sistema de gestão colaborativo, com acompanhamento técnico, artístico e ético.
O resultado é um modelo de preservação viva, que combina rigor tecnológico, sensibilidade cultural e protagonismo periférico.

Metodologia como Princípio Ético
A metodologia do SobreCultura não é apenas um roteiro técnico — é um gesto político de cuidado.
Ao unir educação, tecnologia e memória coletiva, o projeto estabelece uma nova forma de pensar a preservação: descentralizada, segura e afetivamente comprometida com os territórios e corpos que produzem cultura.